🐎 A Sela Wade e Sua Influência nas Selas Brasileiras

1. Origens da Sela Wade

A sela Wade nasceu no início do século XX, no coração do oeste norte-americano.
Seu nome vem de Aaron Wade, um cowboy do Oregon que utilizava uma sela comprada em Deadwood (Dakota do Sul) por volta de 1880. Décadas depois, seu filho Cliff Wade levou essa sela à tradicional Hamley’s Saddlery (Pendleton, Oregon), pedindo uma réplica com melhorias — nascia ali o modelo que se tornaria uma referência mundial.

O projeto original foi amplamente difundido por nomes lendários como Tom Dorrance, Bill Dorrance e Ray Hunt, mestres da doma racional (“natural horsemanship”), que preferiam a Wade pela proximidade com o cavalo e distribuição equilibrada do peso, qualidades que reduziam o estresse tanto para o animal quanto para o cavaleiro.


2. Características Técnicas da Wade

Elemento Descrição
Árvore (saddle tree) Feita em madeira e recoberta de couro cru, com garupa baixa e garfo largo e baixo (“slick fork”), sem chifres altos como nas selas de rodeio.
Horn (chifre) Grosso e de diâmetro largo, ideal para o uso do laço (lasso) e para ancorar cordas sem danificar o couro.
Assento Fundo, confortável e anatômico, oferecendo estabilidade em longas jornadas.
Fenders e estribos Longos, permitindo uma postura equilibrada e natural do cavaleiro.
Função original Criada para o trabalho de campo com gado, principalmente em terrenos acidentados — ideal para vaqueiros, peões e cowboys de rancho.

Essa estrutura robusta e funcional definiu o padrão de ergonomia e durabilidade para o universo western. A Wade tornou-se símbolo de tradição, praticidade e respeito à relação homem-cavalo.


3. A Transição Cultural: Do Velho Oeste aos Campos Latino-Americanos

Com a expansão da cultura western — e o intercâmbio entre os Estados Unidos, México e América do Sul —, o conceito da Wade começou a influenciar selas locais.
No México, deu origem a variações de sela vaquera com garfos mais baixos e assentos mais ergonômicos.
Na América do Sul, essa influência chegou por duas vias:

  1. Via Norte-Americana: através de filmes de faroeste, rodeios e do intercâmbio entre cowboys americanos e tropeiros brasileiros (especialmente nos anos 1950-70).

  2. Via Comercial: marcas de selaria dos EUA e México começaram a exportar ou inspirar fabricantes brasileiros (como Nogueira, Real, J. Júnior, entre outras).


4. Influência Direta no Brasil

A sela Wade serviu como matriz de design para várias selas brasileiras modernas, principalmente:

🐂 Sela Pantaneira

  • Adaptação tropicalizada para o trabalho com gado em regiões alagadas e extensas.

  • Manteve o garfo baixo e o assento profundo, características da Wade, mas ganhou abas maiores, costuras reforçadas e suportes extras para arreios de campo.

  • Utiliza couro cru e ferragens nacionais, priorizando resistência à umidade e ao calor.

🏇 Sela Australiana (versão brasileira)

  • Apesar de inspirada na sela inglesa de montaria, a versão usada no Brasil (principalmente em Minas Gerais, Goiás e São Paulo) incorporou elementos da Wade:

    • Assento fundo e largo

    • Estrutura reforçada em madeira e aço

    • Fenders com mobilidade semelhante à western

  • Tornou-se popular por oferecer conforto em cavalgadas longas e versatilidade entre lazer e trabalho.

🐴 Sela Tropeira e Sela de Marcha

  • A Wade inspirou o formato anatômico e próximo ao dorso, usado hoje em selas de cavalgada, marcha e enduro.

  • O uso de árvores mais planas e de garfo aberto deriva diretamente das adaptações feitas sobre o conceito Wade.


5. Influência no Design Contemporâneo

O conceito Wade — minimalismo, funcionalidade e equilíbrio — inspirou a estética das selas de luxo e de coleção:

  • O garfo “slick fork” virou símbolo de sofisticação western.

  • O horn largo e robusto tornou-se elemento visual marcante em selas artesanais premium.

  • Couros com acabamento “pull-up”, “rough-out” e “antique finish” remetem à Wade original.

Na Montana Leathers, esse DNA pode ser traduzido em produtos que unam autenticidade western americana e artesanato brasileiro, como:

  • Selas de montaria inspiradas em Wade, Pantaneira e Vaquera;

  • Bolsas, cintos e acessórios com padrões de tooling (carving) típicos da Hamley’s e Vaquero Style;

  • Peças com ornamentos em prata, cobre e latão no estilo “working cowboy”.


6. Síntese Filosófica e de Marca

A sela Wade representa mais do que um modelo: ela simboliza o elo entre tradição e funcionalidade.
Sua filosofia traduz-se em três pilares fundamentais, que a Montana Leathers pode adotar como norte conceitual:

  1. Conexão — proximidade física e emocional entre cavalo e cavaleiro.

  2. Resistência — materiais naturais, design funcional e durabilidade.

  3. Autenticidade — herança artesanal do Velho Oeste reinterpretada com alma brasileira.


Resumo:

“A Wade nasceu nos campos do Oregon e atravessou fronteiras até encontrar sua nova morada nos campos do Brasil.
Na Montana Leathers, ela renasce sob o mesmo espírito — o do cavaleiro que busca equilíbrio entre tradição e liberdade.
Cada peça carrega a história do couro, do homem e do cavalo — unidos pela sela que definiu gerações.”

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